Foto da Matthew Henry do <a href="https://www.shopify.com.br/burst/plano-de-fundo?utm_campaign=photo_credit&utm_content=Fotos+gr%C3%A1tis+de+Linha+escalonada+de+l%C3%A1pis&utm_medium=referral&utm_source=credit">Burst</a>
Procurei elaborar uma sequência didática considerando os critérios de agrupamento dos autores, uma vez que respeita o caráter multiforme, maleável e “espontâneo” do gênero (SCHNEUWLY e DOLZ, 2004[1996], p. 57). Na escola, principalmente na disciplina de Língua Portuguesa, deve-se viabilizar o manuseio do maior número possível de gêneros para construir uma progressão em espiral, de forma a aprofundar, gradativamente, a temática, as sequências textuais; e à medida que os ciclos vão avançando, o amadurecimento etário dos domínios de interação social do indivíduo também passam a requerer um funcionamento linguístico discursivo mais complexo.
Sequênica Didática:
Produção de folheto prescritivo
Professoras: Verônica
dos Santos Costa e Patrícia Carvalho
Público Alvo: 8º
ano
Aulas previstas: 06
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Folhetos são textos que visam persuadir, informar ou divulgar
utilizando-se da linguagem verbal e não-verbal. Nesta sequência didática vamos
enfatizar o folheto prescritivo no qual o autor apresenta produtos ou ideias e
deseja levar o leitor ao seu consumo ou à sua aceitação.
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Sondagem:
A
seguir faremos a leitura da crônica Avestruz
do autor Mário Prata, mas antes responda oralmente:
a-
Você conhece um avestruz de perto ou apenas por fotos e vídeos?
b-
O que você sabe sobre avestruzes?
c-
O que você espera de um texto com este título?
1ª Leitura:
1- Leia
silenciosamente o texto anotando os vocábulos desconhecidos no caderno para
pesquisá-los no dicionário.
Avestruz
Mário
Prata
O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus
dez anos, uma avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis,
São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque
foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu as avestruzes. Tem
uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado,
fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam
em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é
que podemos chamar aquilo de ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha
amiga. Na hora de criar a avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu
alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a
um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo
avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros. 2,7 para
ser mais exato.
Mas
eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem
absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no
paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que
saíssem voando em bandos por aí assustando as demais aves normais.
Outra
coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé.
Sacanagem, Senhor!
Depois
olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que logo
depois, Adão, dando os nomes a tudo que via pela frente, olhou para aquele ser
meio abominável e disse: Struthio camelus
australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois
um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro
erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que elas vivem até os
setenta anos e se reproduzem plenamente até os quarenta, entrando depois na
menopausa, não têm, portanto, TPM. Uma avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem
gerar de dez a trinta crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga.
Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes
correndo pela sala do apartamento.
Ele
insiste, quer que eu leve uma avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia
mais o que fazer.
Foi
quando descobri que elas comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços
de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. Máquina digital de
fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E,
se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece
que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco
gaivotas e um urubu.
Pedi
para a minha amiga levar o garoto num psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer
do que ser gigolô de avestruz.
PRATA,
Mário. Avestruz. 5ª série/ 6º ano vol. 2. Caderno aluno p. 9. Caderno do
Professor p. 18.
2- Após a leitura do texto, suas
expectativas iniciais se confirmaram ou foram, de certa forma, contrariadas?
Por quê?
2ª Leitura:
1-
Observe o trecho: “E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de
ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha amiga.” O que o autor quer dizer
com esta afirmação?
2-
O autor tenta de todas as formas, convencer o garoto a desistir de ter um
avestruz, mas qual informação faz com que ele mude de ideia? Justifique.
3-
No final do texto o autor sugere à amiga que leve o filho dela ao psicólogo.
Por quê?
4-
Selecione as informações sobre avestruz presentes na crônica.
Conceituando:
Crônica
- É quase sempre um texto curto, com poucas
personagens;
- O tempo e espaço são limitados.
- Os fatos podem ser contados por um
narrador observador ou por um narrador personagem;
- Sempre apresenta uma visão muito pessoal do assunto
escolhido;
- Utiliza linguagem informal/coloquial;
- É um gênero literário de origem brasileira;
- Surgiu no jornal, por este motivo aborda assuntos
do dia-a-dia, mesmo os mais corriqueiros;
- E os registra com sensibilidade e poesia, ora criando humor, ora provocando uma
reflexão crítica sobre aspectos do comportamento humano.
1- De acordo com as orientações
do professor, faça a leitura oral do texto.
2-
Qual o foco narrativo?
3-
Quais as personagens envolvidas?
4-
Qual o acontecimento narrado?
5-
Em que lugar ocorre?
6-
Apresenta humor ou reflexão crítica sobre aspectos do comportamento humano?
Justifique.
Visita à sala de
informática:
1-
Certamente, você já ouviu expressões como: “Você tem estômago de avestruz!”,
quando alguém come de tudo. Ou então, “Pare de enfiar a cabeça na terra como um
avestruz!”, quando uma pessoa procura fugir dos problemas. Será que estes
dizeres populares têm um fundo de verdade? Pesquise uma explicação científica
que os justifique.
2-
Pesquise o que é necessário para criar um avestruz em cativeiro:
a-
Qual o espaço físico necessário?
b-
O que come e a quantidade?
c-
Quais seus hábitos?
d-
Outras características que você julgar interessante
sobre a ave.
Produção Escrita:
Imagine
que o autor do texto foi até ao local onde se cria avestruzes, relatou o
ocorrido e a insistência do garoto de São Paulo em ter uma dessas aves como
“bichinho de estimação” em seu apartamento. O dono da criação, com intenção de
ajudar entregou lhe um folheto prescritivo com as orientações para se criar
esse animal. Como você imagina este folheto?
Elabore
um folheto orientando como criar um avestruz. Para isso utilize a seleção de
informações que você elaborou no exercício 04 da sessão 2ª leitura e na sessão Visita à sala de informática.
Lembre-se:
a-
de elaborar um parágrafo introdutório explicando a finalidade do folheto;
b-
de elaborar algumas instruções para criar um avestruz em cativeiro;
c-
seu folheto deve apresentar as características da tipologia injuntiva/prescritiva.
d-
você poderá utilizar recursos não-verbais (cores, imagens, tamanhos e tipos de
letras de variados tamanhos e formas, etc.);
e-
de usar a norma-padrão.