Minha experiência de leitura começou antes de ser alfabetizada. Tenho vaga lembrança da “tia” do Jardim nos reunindo em uma sala, na qual tínhamos almofadas trazidas de casa, e ali éramos transportados para os mais distantes reinos e épocas. À medida que ela lia, as imagens eram projetadas na parede por aqueles aparelhos antigos. Lembra? As luzes apagadas e a turma de respiração presa, na tentativa de controlar a ansiedade e não fazer barulho; pois caso fizéssemos algum, éramos imediatamente advertidos que a sessão seria cancelada. Isso seria terrível!A viagem começava, apertávamos as mãos, contraíamos os minúsculos corpinhos. Ríamos, chorávamos, gritos abafados para não atrapalhar a narrativa, palpites sussurrados, suspiros aliviados e o “Ahhh!” lamentando o final de mais uma aventura. Teríamos que esperar uma semana inteirinha para viajarmos de novo. Sabe o que é uma semana para uma criança de cinco anos?
Depois, já alfabetizada, conheci: Marcelo Marmelo Martelo, O tesouro da Ilha de Lá, No País do sem tempo. Como todo adolescente daquela época algumas aventuras da Série Vaga-lume, romances açucarados de Júlia, Bianca, Sabina, Sidney Sheldon, etc.
Até que no Ensino Médio fui apresentada aos clássicos. Sinceridade? Não gostei! Mas na Faculdade os professores nos falavam como se fosse uma leitura acessível... Então descobri que conforme ia lendo uma obra, a linguagem, que era o que me afastava daquele tipo de leitura, ficava cada vez mais fácil de entender. Hoje, tento mostrar isso aos meus alunos. Apenas tento, uma vez que experiência é algo próprio de cada um.
Postado por Verônica dos Santos Costa
No país do sem tempo ainda existe? Gostaria muito de conseguí-lo...solytel3 @yahoo.com.br
ResponderExcluir